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BELCHIOR À "MÃ-CHEIA" 

Por Sílvio Atanes (Santos/SP)

Olha só, a pasta de Tio Bel está ficando bastante gorda, com 32 arquivos.

http://www.4shared.com/dir/12853918/f5542129/Belchior.html

Ueba! Olha só a quantidade de links d’El Bigodón que nosso amigo J. Filho (lopfil@yahoo.com.br) nos mandou:

A lâmina da voz de Belchior
Diabético espiritual
Entrevista: Belchior (vídeo)
Entrevista: Belchior (aqui, um erro grosseiro: é atribuída a Belchior a autoria de O bêbado e a equilibrista)
Entrevista: Belchior
Entrevista: Belchior
Belchior no Programa do Jô
O discurso `pop confidente' de Belchior
Belchior e Los Hermanos no programa Altas Horas
Canções e citações de um rapaz latino-americano
Telejornal ignora artista
Belchior e Sérgio Zurawski (vídeo)
Belchior, Ednardo e Fagner cantando Terral
Na hora do almoço (vídeo)
Galos, noites e quintais (vídeo)
Paralelas (vídeo)
Sujeito de sorte (vídeo)
Belchior e Tom Zé (vídeo)
Belchior canta Ouro de Tolo

 



Escrito por Caio César Muniz às 16h19
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NO BURACO

UMA OBRA DE FICÇÃO NADA CIENTÍFICA

 

Por Cid Augusto


Ministério Público – Vamos instaurar procedimento para investigar se os buracos foram licitados de acordo com a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

Antônio Francisco – A Petrobras sinalizou apoio ao meu livro “O buraco em que a fome mora”.

Anchieta Costa Lima, interpretado por Zé Luiz – Veja, meu caro, estamos aqui, tête-à-tête, face a face, debruçados sobre a letra fria da norma estampada na tez pálida da celulose, o papel, para terçar lanças sobre a ilicitude das cavidades rotundas cunhadas na pavimentação asfáltica de nossa metrópole.

O Homem do Cachimbo – Eu defendo a legalização do buraco.

Marcos Ferreira – Falta agora cada buraco receber o nome de um Rosendo.

Túlio Ratto – Nem usando aquela canoa atômica, impulsionada pelo remo da pachorra, a papanguzada atravessa o rio de crateras.

Leonardo Nogueira – Eu sou terrível, e é bom parar / De desse jeito, me provocar.

Jório Nogueira – É incompetência do Capitão Gomes. Cadê que ele manda guinchar os buracos estacionados em lugar proibido?

Capitão Gomes – O nobre vereador deveria saber que o trânsito está municipalizado e, sendo assim, o Estado não pode guinchar buraco na circunscrição da prefeitura.

Na Usina de Asfalto – Comprei um quilo de asfalto / pra fazer farofa / pra fazer farofafá!

Caio Muniz – A poesia está em toda parte, inclusive no seu buraco.

Capitão Caverna – Simples: a palavra Mos-so-ró traz um buraco em cada sílaba.

Carlos Santos – E assim caminha a humanidade mossoroense, em meio à buraqueira.

Karol Poltergeist – Aleluia, It’s raining man... e nossos buracos ficarão abertos até o fim deste ma-ra-vi-lho-so inverno!

Luís Alves – Velho, a porra do buraco já está enchendo a porra do meu saco!

Claudionor dos Santos – A Câmara, independente sob minha presidência, pode tombar a buraqueira e até tombar na buraqueira, basta o Executivo oficializar o pedido.

Kydelmir Dantas – Se a buraqueira existisse em 1927, Mossoró teria economizado na construção de trincheiras para se defender do bando de Lampião.

Felipe Caetano – E nós poderíamos criar uma homenagem aos combatentes que lutaram em buraco desconhecido.

João Marcelino – Minha parte é montar o “Chuva de Buracos no País de Mossoró”.

Rosalba Ciarlini – Meus irmãos buraquenses!

Erasmo Firmino – Tio Colorau me disse assim: “Você é doido, mexer no buraco dos políticos”.

Gerente de Turismo – Ampliando alguns buracos, chegaremos à China na classe econômica, mas com rapidez.

Laércio Eugênio – Apesar da AIDS, da CNBB e dos buracos, os jovens continuam a transar e gozar sem camisinha.

Nilo Santos – Depois do jornalismo desejoso, nasce em Mossoró o buraco desejoso.

Propaganda da PMM – Tá na cara/ Tá Diferente/ Mossoró, o buraco da gente.

Caby da Costa Lima – Perdi três pares de tamanco, garotinho.

Sandra Rosado – Agora, sim, vocês estão conhecendo o verdadeiro estilo “arrasa-quarteirão”.

Betinho Rosado – E a Justiça ainda quer que eu fique no buraco Democrata.

Dança do buraco – Cada um/ No seu buraco.../ Cada um no seu buraco.

Larissa Rosado – Somente o TSE para cassar os tais buracos.

Francisco Carlos – Não existem buracos. É tudo mentira da oposição.

Guerrinha – Buraco? Neeeero!

Ravengar – Desafio qualquer pessoa a encontrar minha assinatura num buraco sequer.

Otavinho – Fafá, eu gosto de você, Fafá. Você é minha amiga, Fafá, mas eu preciso dizer, Fafá, que meu bairro está magoado porque sua administração, Fafá, rebaixou a Lagoa do Mato para Buraco do Mato.

Prefeita Fafá Rosado – Meu filho, isso não é só em Mossoró não. Mas tem nada não, eu sei que meu filho recebeu dinheiro pra vir dizer isso. Eu conheço de longe.

Acórdão do TRE – A inauguração de buracos não demonstra potencialidade para influir no pleito municipal.

João Buracão – E agora, quem poderá me defender?

Freud – Por favor, não me peça explicações. Eu não sou o Chapolin Colorado.


Escrito por Caio César Muniz às 10h56
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O feijão da minha avó

 

Sentados ao redor de uma mesa, degustando uma garrafa de Volúpia, eu e Marcelão, meu ex-sócio no Chap-Chap, discutíamos sobre a maravilhosa arte de cozinhar.

Ele, do alto de sua experiência (e põe alto nisto), me dizia dos cheiros e temperos sofisticados que ele utiliza em suas receitas, das técnicas, dos recursos que os gourmets aplicam nos seus pratos, enfim, neste mundo mágico em que pode se transformar uma cozinha.

Lembrei-lhe que em Mossoró, ao longo destes já dezessete anos, e doze de amizades com Rogério Dias, perdi a conta de quantas vezes já “filei a bóia” em sua casa, e que, por incrível que pareça, nunca a receita foi igual e nunca pude dizer que a comida não prestara. Rogério sempre acerta a mão e não lhe pergunte sobre como fizera aquele prato.

 Indaguei a Marcelão como pode a mulher simples, do interior, como poucos recursos, conseguir, muitas vezes, fazer iguarias fantásticas, e isto por uma espécie de instinto, pela obrigação, sem a dita técnica da qual ele me falava anteriormente.

Neste vai-e-vem de conversas, lembrei-me do feijão que minha avó paterna fazia. Tenho certeza que não havia nada demais ali – talvez um pouco de cheiro-verde, leite, denunciado pela cor do caldo, e os elementos de sempre: sal, nata, enfim, coisas que só nós, sertanejos, conhecemos bem.

Apesar da simplicidade do prato, eu falava pra Marcelão que, nunca esqueci daquele feijão feito pela minha avó e que, às vezes, chego até a sentir o seu cheiro.

A sessão ficou nostálgica, e nós, entre um trago e outro, fomos ficando bêbados de boas e deliciosas recordações.

NOTAS

Notícias da semana: “Avenida esta está repleta de buracos”, “Buracos causam acidentes da rua tal...” Ora bolas, não seria mais fácil dizer de uma vez que não há, em toda Mossoró, uma única rua que não esteja uma verdadeira tábua de pirulito? O que estamos vivendo aqui é um caso de calamidade pública.

Fui ver a barragem de Santa Cruz. Que belo espetáculo da natureza. Quanta imprudência dos homens! Não bastasse a má conservação das estradas, devido às chuvas, o nível etílico de muitos dos visitantes, alguns, mais afoitos, ainda se arriscam em nados além de uma zona, digamos, segura ao banhista. resultado: algumas mortes em um único dia.

 

Alguns contemplados conhecidos no Prêmio Núbia Lafayete, da Fundação José Augusto. Entre eles, Jeová Costa, irmão do nosso Genildo Costa e Maurílio Santos, do Jucuri, muito bom mesmo.



Escrito por Caio César Muniz às 14h48
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Quem dera fosse

Por Stênio Urbano - E-mail: stenio_muniz@hotmail.com

Confesso, desde já, ser um bibliófilo inveterado, um devorador nato de alfarrábios empoeirados a notas de rodapés de bulas médicas. Confesso, porém, como acadêmico, ser uma tarefa um tanto ingrata, pra não dizer cruel, ser leitor em um país no qual investe mais em estádios de futebol do que em bibliotecas públicas, nada contra os boleiros, sou um são-paulino roxo, vermelho, aliás, roxo é corintiano.

Pois bem, em meio a um zilhão de livros que temos que ler nas academias, e com as míseras moedas que nos sobram dos cafés, as bibliotecas se tornam as principais parceiras nesse árduo caminho torpe dos estudantes. E pensando em desfrutar de uma boa leitura, não a acadêmica, mas a literária, recorro sempre às poucas bibliotecas públicas que nos sobram. E sempre que adentro no prédio de livros empoeirados, olho o velho Dorian sentado de cabeça baixa a contemplar um livro que nunca sai da mesma página, tal uma estátua.

Divagando entre as prateleiras, anotando, olhando de lado, de frente, sentado, encontro um livro que há muito procurava e resolvo me dar ao luxo de lê-lo nos poucos momentos de folga. Um lindo Gabriel Garcia Marques, cheirando a papel velho, e coberto por ácaros insolentes, “Aos seis anos de idade tive que abandonar minha educação para ir para a escola, a primeira frase do livro”, não resisto.

Resolvo levá-lo, eis que me surge uma tecnocrata que me olha de por cima de um piciné, depois daí, amigo... A baixo reproduzo o fatídico diálogo!

- Nome? Pergunta-me.

- Stênio Urban.......

- Profissão?

- Estudante de... (me interrompe novamente)

- O nome do livro é... é ...é ...(vacila e retorce para um lado e outro o livro)

- Viver para contar!(socorro-a)

- Cortar?

- Contar, Gabriel Garcia Marques (a corrijo novamente)

- Nunca ouvi falar... (eu já havia percebido)

Olha-me de reto e diz:

- Errei, havia colocado o nome do tradutor! ( e me dar um sorriso falso)

Completando e meus dados:

- Estado civil?

- Solteiro

Pergunto à interrogante:

- Os dados que já existem no meu cadastro não são suficientes?

- Não!

Com arrodeios e melindres, para ser mais exato, passo quinze minutos e dezesseis segundos preenchendo uma ficha que pedia desde o número da minha casa ao registro do meu CPF.

Ela saiu para uma sala e voltou com uma outra ficha, essa era um termo de conduta e responsabilidade.

-Tem que devolver o livro em sete dias!

- Certo.

- Não rasure, não amasse, não empreste a terceiros!

- Certo.

- Está ciente que se não cumprir os termos, terá a carteira suspensa e pagará pelos danos do mesmo!

- Certo, estou!

Chego em casa. Ponho o livro em cima de uma pilha de outros tantos que tenho que ler e me pergunto: Porque não aprendi jogar futebol meu Deus!

 



Escrito por Caio César Muniz às 07h55
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Meus medos...

 

Acordo muitas vezes assustado e as imagens refletidas na parece do quarto, através da cortina amarela são como fantasmas que carrego inconscientemente.

A pele arrepia-se por alguns segundos até que acordo em definitivo e percebo que é mais um pesadelo destes que me perseguem há vários anos.

Dos medos que tenho, alguns beiram o ridículo e, talvez por isto, só me buscam nos confins das noites escuras, depois do sono.

Tenho medo do escuro, por isto sempre deixo uma luz acesa para me guiar, mesmo que seja para lugar nenhum, somente para que eu tenha para onde correr os olhos.

Sempre tenho a impressão de que há algum bicho debaixo de minha cama, talvez alguma história daquelas de “trancoso” que contam para as crianças tenha me marcado para sempre. Assim, ao levantar na madrugada, passo alguns minutos criando coragem para descer da cama, e ao fazê-lo, coloco os pés numa distância “segura” para que ninguém os alcance.

Tenho medo acordado também, mas estes são mais fáceis de superar, são toleráveis diante dos medos noturnos: não conseguir ver meus filhos crescerem ao mesmo tempo em que prefiro partir na frente ao ter que despedir-me de algum deles em definitivo.

De que me falte o pão à mesa para minha família, ao mesmo tempo em que não suporto imaginar que falte também ao menino de rua, ao homem trabalhador, ao indigente que dorme na rua.

Enfim, sou um homem carregado de medos mas espero um dia poder superá-los.



Escrito por Caio César Muniz às 10h12
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Saudade e poesia

 

Era assim: o telefone tocava (em tempos quando ainda não haviam celulares) e do outro lado da linha a voz dizia: “escuta isso...” e um poema era recitado cheio de emoção.

Hoje, poucas vezes nos vemos e os poemas são lembranças vagas.

Era assim: marcávamos o encontro naquele barzinho de sempre, para tomar cachaça, ouvir um som e recitar aquela poesia nova: “pegar no cabo da enxada...”

Hoje, os bares vazios trazem boas recordações de um tempo nem tão distante assim, mas recheadas de saudades.

Culpa do tempo, dizem uns; do trabalho, sentenciam outros, e eu fico aqui, procurando a quem culpar. Será que fui eu?

O certo é que os dias dos poemas inflamados e dos poetas que não tinham vergonha de serem poetas não existem mais, assim como não existe mais aquelas noites insones e maravilhosas.

O que resta? Escritos guardados, como antes, nos fundos de gavetas, projetos que não saem do papel, imitações de poetas e eu, remoendo minhas tristezas em meio a um copo de cerveja.



Escrito por Caio César Muniz às 16h49
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ANO NOVO (DE NOVO)

Parece que foi ontem que nos desejávamos um feliz ano novo e hoje, em tudo já renovado, tudo parece exatamente como antes.

É sempre assim, sabemos que nada mudará amanhã, que tudo será desta forma, mas preferimos acreditar na magia que separa o ontem do hoje.

O novo ano está aí, e novamente nos enchemos de expectativas, e novamente acreditamos que amanhã será melhor, porque faz parte de nós, seres humanos, acreditarmos em dias melhores, mesmo que eles sejam, como disse antes, todos iguais.

A quem cabe, então, fazê-los diferentes? A nós mesmos. Vamos lá, acreditar e fazer com que sejam diferentes, melhores, mais prósperos e belos nossos próximos dias.

Os desejos são sempre renovados nesta época, mas esquecidos, muitas vezes, já nos primeiros momentos do novo ano. Que não seja assim desta vez, que nos lembremos de alimentar nossa alma do que temos de melhor: amor ao próximo, tolerância, tudo isto que guardamos à sete chaves, quando na verdade, deveríamos distribuir sem nenhuma medida.

Que saibamos respeitar a natureza para que ela não nos dê em dobro todas as agressões sofridas; que plantemos paz para colhê-la sempre e a cada dia.

Os votos são os de sempre, todos sabem de cor e salteado, é só colocar em prática.



Escrito por Caio César Muniz às 16h42
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Foto: Frederico Mendes - Revista “O Cruzeiro”, 18/8/1971

Como nasce uma canção

Jorginho Telles e Belchior celebram a vitória de "Na hora do almoço"

no IV Festival Universitário da TV Tupi do Rio

 

Eu tive a honra de acompanhar e ver algumas belas canções do meu ídolo grossense/mossoroense, amigo de longas datas e muitas lutas Genildo Costa, sei como é mágico ver uma música ganhando forma.

Todos sabem da minha admiração por Belchior, mas, pior do que eu, é um cabra que mora em Santos/SP, chamado Sílvio Atanes.

É ele quem tem me presenteado com coisas que nem o próprio Belchior possui, coisas como a “bolachinha nº 1” como denominamos o compacto com a gravação de “Na hora do almoço”, primeira gravação do bardo sobralense.

Sílvio também descobriu Jorge Melo, parceiro em muitas canções com Belchior, companheiro de quarto no Rio de Janeiro, quando este andava longe de fazer sucesso.

Descobriu ainda, recentemente, uma gravação chamada “Sorry, Baby” pouquíssima conhecida de Belchior e procurou saber do Melo se o mesmo conhecia tal composição.

Em sua resposta, Jorge Melo relata sobre o nascimento de “A Palo Seco” e nos mostra como nasce uma canção.

 

“Silvio

Lembro bem do dia em que nasceu A PALO SECO. Eu e ele (Belchior) e minha mulher, a Teca, num daqueles dias em que não havia em casa nada para comer fomos andar na praia de Copacabana à noite para enganar a fome (Rio de Janeiro esquina da Barata Ribeiro com a Santa Clara, no quinto andar do Cine Lido). Morávamos, eu, Teca e Belchior.

Começamos a andar na praia, mortos de fome e peguei uma garrafa de pinga dessas de despachos pra Iemanjá e bebemos os três. A pinga subiu logo (estômago vazio é assim). Aí começamos a ler um jornal que descia no vento. Lá estava a manchete: “O SONHO ACABOU”, de Lennon.

O Bel leu e começou a gritar pro mar, como se gritasse pra Inglaterra: “John, SE VOCÊ ME PERGUNTAR, COMO EU ANDEI NO TEMPO EM QUE VOCÊ SONHAVA, EU TE DIREI, EU ME DESESPERAVA...”

Minha mulher com uma varinha escreveu essas frases na areia de Copacabana. Tomamos nota de algumas delas. O dia estava amanhecendo... Aí nasceu essa linda canção. Várias frases soltas foram gritadas e algumas estão na música.

Jorge Melo.”

 



Escrito por Caio César Muniz às 11h34
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Mais Belchior pra vocês. Este é um presente do grande Sílvio Atanes.

Baixe aqui os discos em homenagem a Carlos Drummond de Andrade.

As Várias Caras de Drummond

Disco 1:
http://www.mediafire.com/?djmmsv5mmci

Disco 2: http://www.mediafire.com/?myjjnxyzjnm



Escrito por Caio César Muniz às 11h17
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Foto: Alguiberto Morais

Prensa pertencente a Cícero Romão Batista,

em Luís Gomes/RN

 

Uma prensa para o “Museu do Sertão”

 

Benedito Vasconcelos Mendes é um destes obstinados pelas coisas do nosso sertão. Igual a ele, de lembrança, só tenho Oswaldo Lamartine e Vingt-un.

Há alguns anos Benedito transformou parte de sua fazenda Rancho Verde em um lugar público, onde recebe visitantes de todo o mundo com interesse em conhecer um pouco da nossa nordestinidade e sua História.

Galpões imensos guardam peças antiqüíssimas, vestimentas, utensílios domésticos, de caça, de pesca, enfim, ali está, grande parte da nossa cultura.

Mesmo diante desta diversidade de atrativos, Benedito, assim como sua esposa Suzana, têm encampado uma luta sem tamanho na busca de uma peça que compõe as casas de farinhas do nosso sertão.

Trata-se de uma prensa de dois fusos, com distância aproximada de dois metros entre eles e que, segundo o pesquisador só existem três no Rio Grande do Norte: duas em Luís Gomes, pertencentes a Cícero Romão Batista (que não é o padre Cícero) e a outra dos herdeiros da família Vieira; e a terceira em Rodolfo Fernandes, de propriedade do conhecido político local Chiquinho Germano.

A busca, no entanto, não tem obtido êxito. Os donos das prensas, mesmos inativas, não se renderam aos argumentos de Benedito, nem mesmo diante da sua brilhante iniciativa de mostrar para o mundo o que de mais belo já possuiu o sertão nordestino.

Espero que, sem uso, como estão, não acabem por se deteriorar, perdendo-se de vez tamanha riqueza cultural.

Desta forma, pedimos aos amigos leitores deste espaço, que, tomando conhecimento de alguém que possua, em algum lugar deste Nordeste, uma peça semelhante a esta que ilustra a nossa coluna de hoje, que nos informe para que, assim, possa estar completo o nosso Museu do Sertão.

Escrito por Caio César Muniz às 10h05
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Bom, eu sei não consigo manter uma regularidade na atualização deste troço. Porém, se os amigos se interessarem, mandem-me um e-mail com trabalhos seus que será um prazer publicá-los aqui.

Vamos lá...

 

 

HAVANA: Na Vinhedos, loja especializada em bebidas no Mossoró West Shoping é possível encontrar a famosa Havana ao custo de R$ 490,00 (isto mesmo, quatrocentos e noventa reais) a garrafa.

Perguntei ao especialista em “branquinha” Cid Augusto a razão para que esta cachaça fosse tão cara. Ele me explicou que não há nada de excepcional, apenas uma questão de tradição, tendo em vista que ela foi uma das primeiras da região das Minas Gerais a chegarem ao mercado – sou mais a nossa Samanaú, aqui de Caicó, que custa no máximo, vinte contos a garrafa.

 

SÊBADO: Comenta-se no meio cultural da cidade o possível fechamento do estaco cultural O Sêbado, do doutor Marcos Pereira. Se isto acontecer, será uma grande perda para a cidade. Apesar de entender as razões do Marcos, defendo que ele procure uma forma de manter vivo aquele espaço.

 

OS NONATOS: Os forrozeiros de plantão, sangue-sugas do que é bom e sem criatividade para fazer outra coisa que não seja falar de cabaré e rapariga, estão gravando e regravando mais uma pérola d’Os Nonatos, poetas fantásticos, trata-se da canção “Um Nós Por Dois Eus”, assim todo mundo faz sucesso.

Escrito por Caio César Muniz às 11h33
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Cantilena fria...

 

É natural que, com o passar do tempo, mudemos os rumos das nossas vidas, é inevitável, não é?

Mas tenho mudado tanto que, às vezes, me assusto comigo mesmo.

Penso que, se o eu de há alguns anos encontrasse o eu de hoje, não o reconheceria. Penso até que se decepcionaria com este que hoje vive em mim.

Ontem, acreditava em sonhos, no amor, tinha ambições maiores e até inocência. Era um tempo menos corrido, que trazia preocupações – claro – mas não tantas como agora. Era um tempo de outros amigos, uns que já não estão mais comigo, outros que continuam por aí, lutando pela sobrevivência em alguma parte do país e, ainda, aqueles que se mostraram maus amigos e se perderam de mim.

Hoje, troco os dias pelas noites, a clareza do sol não me trás emoção nenhuma e a noite, a noite – mesmo quando não tem lua – tem me encantado e acolhido vezes e vezes. Hoje, não tenho mais sonhos, e o amor, busco o amor, mas meio que desacreditado neste encontro.

Ambições? Não consigo lembrar de nada que me faça despertar ambição alguma. Estranho ser assim? Talvez. Mas, que posso fazer?

Nestes dias, faço meu caminho como na música do grande Belchior: “papo, som dentro da noite...” e digo dane-se ao que pensam de mim. Tenho vivido de extremos: dormido muito pouco, bebido um bocado, e o coração, vazio, procurando refúgio em algum olho mágico de beleza rara.

Quero continuar abraçando meus filhos, beijando meus pais e dividindo a mesa e o copo com os amigos de hoje. Para o futuro, nada de planos, geralmente não dão certo e, afinal, que tempo temos nós? Tudo isso tem me custado algumas críticas de quem vive ao meu redor. Que posso fazer? Tenho mudado mesmo, tenho ficado deste jeito, como direi, frio. Mas não posso negar que lá no fundo de mim, sinto um pouco de saudade daquele tempo em que eu tinha lágrimas e meu coração ainda não era de pedra. Talvez ainda haja esperança para mim, não é? Talvez, no futuro, antes de fossilizar minha alma por inteiro, eu possa recuperar um pouco do eu perdido no tempo doce do passado ou, talvez, de novo como diz Belchior “eu morra jovem, em alguma curva do caminho. Algum punhal de amor traído completará o meu destino.”



Escrito por Caio César Muniz às 16h02
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AO BOÊMIO DISTANTE...

 

Para Cid Augusto

 

Ontem eu encontrei a noite e ela pergun-tou-me por você.

Dizia ela que já não lhe encontra contemplando as estrelas no céu, como procurasse não sei o quê.

Disse ainda que acha que você já não a ama mais, pois sumiu dia afora sem lhe dar satisfação.

Disse-me a noite, que agora segue triste sem você e que o tem procurado sempre que chega a madrugada.

Então, na condição de amigo que sou de vocês dois, eu lhe peço: não abandone a noite.

Pois tenho também caminhado ao lado dela e vejo em seus olhos a tristeza que ela me falou sentir.

Aqui, os companheiros mais terrenos também sentem a sua falta.

O alvorecer está comum e os bares cerrando as suas portas mais cedo.

As estrelas estão a cada dia mais cadentes, tanto que penso que o céu, qualquer hora, ficará nu.

Então, amigo, esperamos revê-lo em breve, antes que o dia amanheça, para que possamos, quem sabe, dividir em coro o canto de algum pardal boêmio a cantar para sua amada: "Bom-dia, meu amor/Estou chegando agora/O dia já raiou/Passei a noite fora/Não chores meu amor/Não faz isso comigo/Eu não estou embriagado/Eu só tomei um trago/Com meu melhor amigo..."



Escrito por Caio César Muniz às 13h34
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Lei seca é elitista, reacionária e semeia a corrupção

 

Josimar Melo é jornalista, crítico de gastronomia da Folha de S.Paulo e agitador cultural nessa área

 

Mais uma estupidez assola o Brasil, esta lei seca disfarçada em medida moralizadora. A moral dos reacionários e dos xiitas, que só vai levar mais água (sem álcool) para o moinho da pequena corrupção do dia-a-dia.

Qual o espírito da lei? O de punir os bêbados no volante, gente irresponsável e criminosa que merece mesmo o fogo (não o da bebedeira, mas o do inferno)? Não, esse não é o espírito dessa nova lei, pois esse espírito já existia na antiga lei: o Brasil já tinha leis que coibiam bêbados no volante -- puniam motoristas que tivessem mais do que 6 dg de álcool por litro de sangue. Para se ter uma idéia, isso já era mais rigoroso do que os limites em vigor em países como Canadá e Estados Unidos (que permitem até 8 dg por litro).

Qual era a diferença entre, por exemplo, o Brasil e os Estados Unidos? A diferença era que lá a quantidade de álcool permitida era maior (e não suficiente para embebedar ninguém), mas a fiscalização era, e é, séria. Mesmo podendo ter 8 dg de álcool por litro de sangue, os norte-americanos são muito cuidadosos com suas taças de vinho se vão dirigir, pois sabem que podem ir para a cadeia mesmo.

O que fizeram os moralistas do Brasil? Nossa taxa permitida já era menor do que a americana; o que faltava era simplesmente aplicar a lei -- fiscalizar e punir. Ah, as punições eram mais brandas; concordo plenamente em que fossem aumentadas, como agora. Mas não: no lugar de fiscalizar e punir, o governo (com uma base parlamentar para isso) preferiu tornar o país mais xiita e corrupto, colocando um limite de álcool que equivale, na prática, a proibir qualquer consumo de bebida alcoólica para quem vai dirigir.



Escrito por Caio César Muniz às 16h25
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Quais as consequências disso?

 

1 - A primeira, se a coisa pegar, é atacar uma tradição cultural atávica da humanidade -- a de beber socialmente, confraternizar com a bebida. Tradição que data da remota antiguidade, presente nas festas das colheitas, nas celebrações religiosas, nas comemorações das conquistas. A depender da lei, um jantar de vários casais na casa de amigos ou num restaurante fará com que metade dos presentes fique na Coca-Cola, destruindo seu prazer gastronômico e o clima de compadrio. E impondo o rigor disciplinar, a sobriedade careta, que religiões e moralistas de vários matizes adoraram ter como regra para uma humanidade disciplinada e domesticada.

 

2 - A segunda, se a coisa pegar, é inserir uma clivagem separando ainda mais os mais ricos dos demais. A lei poderá ser seguida por quem tem dinheiro para sempre pagar taxi e motorista particular -- ou seja, o prazer de beber em condições normais, fora de casa, será preservado para esta elite. O resto, que não tiver dinheiro para vários taxis semanais, e na inexistência de verdadeiro transporte público, terá que agir como pária, transgredindo sistematicamente a lei.

 

3 - A terceira é que, mais provavelmente, nossa lei seca terá efeito parecido ao de sua antecessora nos Estados Unidos: o incentivo ao crime e à corrupção. Ali, nos anos 20 do século passado (1919 a 1933), a bebida alcoólica foi proibida. Sendo o consumo do álcool um hábito cultural arraigado, obviamente as pessoas continuaram a beber -- mas foram obrigadas a fazê-lo fora da lei. Para beber, precisavam pagar para as quadrilhas que dominavam o tráfico. Estas ficaram ricas e poderosas, e a corrupção e a criminalidade milionária medraram como nunca. No Brasil a proibição é mais localizada, não deve chegar à criação de quadrilhas como as de lá, mas considerando nossas tradições, dá para prever que a corrupção é quem vai sair ganhando. Enquanto fazem estas iniciais blitze cinematográficas, vai ser difícil ver casos de policiais se corrompendo. Mas no dia-a-dia daqui pra frente, quando um guarda parar um cidadão que está guiando normalmente, está sóbrio, mas saiu de um restaurante, o bafômetro pode muito bem ser acionado. E é bem provável que o cidadão que tomou duas taças de vinho com a comida, para não ir para a cadeia, resolva pagar ali mesmo os R$ 1.000 que terá que pagar de qualquer jeito se for para a cadeia. Uma propina bem atraente.

Quanta estupidez! É óbvio que os tantos casos de matança provocada por bêbados no volante foram perpetrados por gente realmente bêbada -- com muito mais do que os 8 dg/litro de álcool tolerados nos Estados Unidos. É sobre os bêbados no volante que deveria se voltar a fiscalização. O novo limite imposto no Brasil é na verdade um ataque disfarçado ao consumo puro e simples de bebidas alcoólicas -- medida de muito gosto para xiitas religiosos de várias facções, e moralistas políticos de todas as colorações. Assim caminha, para trás, a humanidade.

P.S. - Se alguém quiser beber acompanhado de boa comida, pode consultar meu novo site em fase de implantação, uma versão eletrônica do meu guia de restaurantes do Brasil. Bom apetite!

http://www.guiajosimarmelo.com.br/index.php



Escrito por Caio César Muniz às 16h22
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