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CAMELAGEM VIRTUAL




Escrito por Caio César Muniz às 14h43
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A POESIA NA ÓTICA DE CHICO DE TILÓ

 

Foi Chico de Tiló quem me disse que “os poetas de hoje precisa amadurecer, pois sem amadurescença o poeta não tem respeito”.

É claro que eu entendi. É claro que você entendeu. Desta forma, Chico de Tiló, é para mim muito mais crítico de arte do que muitos senhores da Academia, que só conhecem a poesia popular por ouvir dizer.

Chico chama cordel de verso, verso de linha e poesia para ele só vale se tiver “rima e oração”.

Eu, de minha parte, defendendo a rima, mesmo nem sempre a utilizando, e tenho brigado sem entender quando até mesmo os nossos cordelistas falam desta tal de oração.

Perguntei a Chico então sobre Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa.

Chico respondeu-me, assim como quem nunca tivesse ouvido falar em tais nomes: “Esse povo acha que poesia é de todo jeito, mas não é, não. Poesia do jeito que eles faz, todo mundo faz” – conhecia os nossos clássicos, mas não achava bonito versos sem rimas, métricas e a tal da oração. 

Eu discordo de Chico, mas ali, no seu banco de tronco de madeira, “vixi”, ele sabe muito mais do que tudo que eu já aprendi e não me pergunte como.

Foi criado pelas feiras do interior do sertão, aprendeu o beabá lendo folhetos de cordel e ouvindo os cantadores de viola, por esta razão conhece do riscado como poucos.

Assim como Chico, pensam também muitos que ingressaram na poesia popular (o cordel, a viola, o repente). Já ouvi críticas abertas aos chamados, “poetas de bancada”. Aqueles que não improvisam, que não têm o pensamento rápido do repentista.

Enfim, nos rincões do sertão ou nos palanques mais afamados, sempre teremos discussões ricas, nem por isso cultas, sobre a beleza da poesia em suas mais variadas vertentes.



Escrito por Caio César Muniz às 15h14
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O LADRÃO DE RAPADURA 

 

A bodega no meu avô era bem sortida, de tudo tinha um pouco: fumo, querosene, bolachas das mais variadas, sete capas, comum, Maria... e rapaduras... Ah! As rapaduras. Batidas, temperadas, pretas e umas que vinham do Cariri que tinham um sabor especial, um cheiro especial.

Ainda hoje, se fecho os olhos e respiro fundo, chego a sentir o cheiro daquelas rapaduras, misturado a outros tantos cheiros que identificavam a bodega do meu avô.

No caderno do fiado nome de quase todos os moradores da vila Canindezinho, mas todos bons pagadores. Todo início de mês o movimento aumentava quando o povo recebia a "paga", o "aposento" e vinham quitar seus débitos e fazer nova feira.

Uma época meu avô começou a queixar-se do desa-parecimento de rapaduras, especialmente das que vinham do Cariri. Quase toda semana sumia uma, às vezes duas rapaduras.

Começou-se então um processo de investigação para que se descobrisse o ladrão das rapaduras. Fiquei na incumbência de sondar a meninada, afinal uma traquinagem destas não podia partir de um adulto, roubar rapadura, tendo tantas outras coisas de valia na bodega. Minha recompensa, caso descobrisse o ladrão: uma rapadura do Cariri.

Não ganhei o prêmio. Não havia como ganhar. Durante anos guardei este segredo comigo, mas eis que acho ter chegado o momento de revelá-lo e pedir perdão ao meu avô, onde quer que ele esteja lá no céu.

Não resisti à tentação, assumo o crime, era eu o ladrão das rapaduras.

 

... et cetera e coisa e tal...

 

Em Natal, deparei-me com o jornal "O Botequeiro", já em nona edição. Textos bem-humorados e inteligentes, dicas gastronômicas e sugestões de botecos a se visitar. Uma bela sacada de uma turma inteligente. Nas entrevistas ícones como Falcão, Reginaldo Rossi e José Orlando.

 

Envolvidos pelo "O Botequeiro", lembramos, eu e Genival Júnior, meu compadre que em Mossoró a cada dia fica mais escasso encontrar um bom boteco para se dividir uma boa conversa, ouvir uma boa música e apreciar cultura de verdade.

 

Neste mesmo diapasão, Marcos Pereira, por mais que tente, não consegue fechar O Sêbado, já inserido no rol que boas opções culturais da cidade. Então, aos sábados ainda é possível encontrar uma turma boa pra jogar conversa fora e curtir as atrações que sempre surgem por lá.

 

 



Escrito por Caio César Muniz às 12h49
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Tem certos dias, mestre Vingt-un, que sua ausência parece mais sentida.

 

Dias em que daria tudo pra saber como você agiria, dias em que procuro sua imagem em todos os lugares em busca de inspiração.

 

Hoje, como em muitos outros dias, bateu uma saudade enorme de você, meu grande mestre/amigo!!!



Escrito por Caio César Muniz às 14h49
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QUE NEM EU FOSSE EMERY COSTA

Caro Caio.
Essa ai é uma foto histórica, devido a pessoa que aparece nela (foto), nada menos que o Rei do Baião LUIZ GONZAGA e sua esposa dona HELENA GONZAGA, que foram meus padrinhos de casamento em Niteroi-Rj. em 1963, essa foto vai constar do meu livro que estamos preparando junto com meu amigo Professor Almir diretor da Biblioteca, o titulo provisório do livro é: MINHA VIDA MINHA HISTORIA.

Um grande abraço.
Oseas Lopes (Carlos André)



Escrito por Caio César Muniz às 18h33
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I CONCURSO JOÃO BATISTA CASCUDO RODRIGUES

A Academia Mossoroense de Letras (AMOL) recebe trabalhos em prosa e poesia até dia 25 de junho, para concorrer ao I Concurso João Batista Cascudo Rodrigues – conto e poesia.

Segundo o regulamento do concurso, os candidatos podem concorrer com 1 (um) texto de conto e/ou 1 (um) texto de poesia. Os textos deverão ser originais, isto é, nunca terem sido anteriormente publicados em jornal, revista ou livro, ou mesmo veiculados pela internet, ou quaisquer outros meios de comunicação.

Os trabalhos deverão ser escritos em português, com tema livre, digitados em papel A4, em uma só face do papel, enviados em (4) quatro vias. Só poderão concorrer autores norte-rio-grandenses que residam no território do RN.

Os contos terão limite máximo de (5) cinco páginas e as poesias em (2) duas páginas, em letra 12, fonte Arial, espaço 1.5. Cada texto deverá ser identificado apenas pelo título e pelo pseudônimo, não podendo constar, de nenhuma forma, algo que identifique o nome do autor.

O regulamento frisa que os textos de conto e da poesia deverão estar contidos em um só envelope, e com um mesmo pseudônimo. Este envelope será acompanhado por um outro menor, lacrado, que terá na parte externa a indicação: 1º Concurso de Conto e Poesia João Batista Cascudo Rodrigues” – Amol, título do trabalho e o pseudônimo do autor. No interior deste envelope uma folha indicará: nome do concorrente, pseudônimo, título do trabalho, endereço completo, com telefone e e-mail, se houver.

Os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora, composta por pessoas com amplo conhecimento, experiência e saber em literatura.

A Comissão Julgadora será composta de 5 (cinco) membros,  escolhida pela direção da Academia Mossoroense de Letras – AMOL, juntamente com a Fundação Vingt-un Rosado.

Esta comissão julgadora terá total autonomia no julgamento, que será regido pelos princípios de originalidade, técnica e arte literária. A decisão da Comissão terá caráter irrevogável.

PREMIAÇÃO - Serão premiados os 2 (dois) (primeiro e segundo   lugares) melhores trabalhos, em cada categoria, recebendo os vencedores, os seguintes prêmios: 1º Lugar: – conto – R$ 800,00 (oitocentos reais) mais certificado; 1º Lugar - poesia – R$800,00 (oitocentos reais) mais certificado. 2º Lugar: – conto – R$ 400,00 (quatrocentos reais) mais certificado; 2º Lugar: – poesia – R$ 400,00 (quatrocentos reais) mais certificado.

Os trabalhos serão entregues diretamente, ou enviados pelo correio (serão validados apenas os trabalhos com carimbo dos correios até 25/06/2011), até o dia 25 de junho de 2011, para: Academia Mossoroense de Letras – AMOL – Biblioteca Ney Pontes Duarte – Praça da Redenção Jornalista Dorian Jorge Freire, Térreo – CEP. 59.600-000 – Mossoró-RN.



Escrito por Caio César Muniz às 12h51
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CARTA ABERTA AO ICOP E À AMOL

 

Mossoró, 14 de abril de 2011

 

"Na raiz da omissão, o veio da amargura e do desconcerto dos dias...

O omisso é o assassino sem armas,

A abater a força da ação e do pensamento."

Cláuder Arcanjo, in Caderno CA - Parte LXXVII

 

“Quem cala, consente", afirma sabiamente o dito popular. Seguido por ele, esperamos, nós, da POEMA, um mês exato por algum pronunciamento das duas instituições mais importantes da literatura local a respeito do "incidente" ocorrido na Cobal, no dia 13 de março deste ano, véspera do Dia Nacional da Poesia.

 

Porém, o Instituto Cultural do Oeste Potiguar (Icop) e a Academia Mossoroense de Letras (Amol) simplesmente ignoraram a "expulsão" dos poetas daquele local público, silenciaram totalmente, ou seja, consentiram o fato, como afirma sabiamente o dito popular.

 

Instituições das mais diversas, cidadãos comuns e sociedade de um modo geral prestaram a sua solidariedade aos que ali estavam fazendo arte de graça para o povo e foram mal compreendidos pela administração do espaço - falta de habilidade com as palavras? Sabe-se lá.

 

O Icop e a Amol simplesmente não viram, ou não quiseram ver, o fato em questão. Nenhum e-mail, nenhum telefonema, nenhuma notinha num canto de jornal. Nada.

 

Certamente porque talvez aquele tipo de cultura não condiz com o modo polido que estas duas instituições adotaram como o perfil perfeito da "intelectualidade". As ruas, as feiras, os guetos não são lugares pra recitais de poesia, musicais, cultura, enfim.

  

O problema é que nós, da POEMA, nos habituamos com esta coisa de ganhar o mundo quebrando barreiras. E tem dado certo. E não sabemos fazer de outra maneira. E não queremos fazer de outra maneira. A nossa cultura não é de broches na lapela nem de discursos inflamados. Preferimos a cerveja na mesa e o violão em punho. Os versos decantados em voz alta nos soa melhor que o folhetim impresso com palavras pensadas e nem sempre verdadeiras.

 

Não somos poetas das ruas de Espanha, do Tejo, de "Oropa, França e Bahia", somos das embucaduras do rio Mossoró, da Barra, de Jucuri, dos mercados de Iracema, da bodega de Zé de Luzia, em Grossos, de Candeia, lá nos confins de Lucrécia, somos daqui.

 

Como nos versos de Patativa do Assaré, nossa poesia não entra "nos rico salão", desta forma, não há palco melhor para nós, que as ruas, as feiras, a proximidade com quem entende o nosso linguajar. 

 

Pensadas, as duas instituições, por grandes nomes da cultura mossoroense, como João Batista Cascudo, Raimundo Nonato e Vingt-un Rosado, tenho certeza de que eles se manifestariam publicamente diante de um incidente lamentável como este que ocorreu conosco este ano.

 

De antemão, esclareço o poder público municipal reconheceu o erro, a inabilidade daquele momento na condução de um diálogo que não houve. Mas o Icop e a Amol nada disseram.

 

Frente a tudo isto, e, tendo em vista que, ao que parece, o nosso modo de fazer cultura difere do modo das duas instituições, peço meu desligamento do Icop, da qual fazia parte inclusive da diretoria, e quanto a Amol, aconselho ao ilustre presidente que repense o modelo de gestão ora em vigência. A Academia é maior que os nossos próprios egos e tem que ser maior do que os sócios que hoje a compõem.

 

Francisco Caio César Urbano Muniz

 

Pelo mesmo entendimento aqui exposto, subscrevem esta carta ainda os nomes abaixo relacionados:

 

José Rogério Dias Xavier

Genildo Costa e Silva

Cid Augusto da Escóssia Rosado

Ricarte Balbino Lopes

Marcos Ferreira de Sousa



Escrito por Caio César Muniz às 20h02
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Foto: Eloísa Helena

Respeito à Nossa Poesia

Já deveríamos estar cientes de que precisaríamos quebrar várias muralhas para fazer com que a poesia fosse um dia vista e respeitada.

Não é de hoje que este fazer poético incomoda.

Quando começamos esta grande brincadeira - que agora virou coisa séria - chamada POEMA, as ruas eram o nosso palco, as praças a nossa sala de recitais, os bares o nosso aconchego noturno para troca de versos.

Mas os olhares sempre foram de reprovação.

Não somos marginais, nunca fomos. Somos artistas e a única coisa que pedimos é um pouco de respeito e um pouco menos de dureza nos corações.

Já posso dizer sem reservas que nós damos mesmo a cara a bater, e por pouco isto não aconteceu de fato este ano.  

Não pedimos nada em troca. O sorriso do público, a alegria das crianças é o nosso pagamento maior. Fazemos poesia da forma mais intensa que possa existir, fazemos com que ela rompa todas as fronteiras, rompa todas as barreiras, este é o nosso jeito de fazer poesia.

Aos nossos poetas, peço que não se abstenham de apa-recer, de nos acompanhar, de ocupar estes espaços que são mais nossos do que nunca.

Não me venham com esta história de que há um com-promisso, sempre haverá se não colocarmos a nossa poesia como prioridade.

Eu também tenho os meus, mas passo por cima de paus e pedras para fazer com que a poesia, não a minha, mas a nossa, seja vista e respeitada.

Precisamos juntar forças, juntar versos e pessoas, pois sozinhos somos mais fracos do que parecemos ser.

Precisamos dos poetas para que externem seus pensamentos, para que se unam a nós neste movimento que é unicamente nosso.

A nossa poesia, a nossa arte, precisa agora, mais do que em qualquer outro tempo, de que a defendamos em todos os lugares.

Foi preciso que se passasse mais de uma década, foi preciso que, mais uma vez fôssemos postos porta afora de um local público para que, finalmente, fôssemos vistos como os artistas que fomos durante toda esta vida.

Já passou do tempo de se respeitar a POEMA, já passou do tempo de se respeitar os poetas de Mossoró.

Nos encontraremos em breve, como no dizer da música de Genildo Costa: "nas ruas, nos bares..."  

...et cetera e coisa e tal...

Na quinta-feira, 17, fomos chamados ao gabinete da prefeita de Mossoró e recebidos (Genildo Costa, Rogério Dias e eu) pelo chefe de gabinete Gustavo Rosado e pelo diretor da Cobal, Carlos Luz.  

Gustavo desculpou-se em nome da Prefeitura de Mossoró pelo episódio  ocorrido no dia 13 de março quando nós, poetas, fomos expulsos daquele local público e justificou o fato, explicando que o ambiente passa por um momento de insegurança. O Sr. Carlos Luz também admitiu que houve excessos na condução do episódio, e que com os ânimos exaltados não foi possível um diálogo.

A POEMA completa 14 anos neste 2011. Estaremos sempre próximos de quem quiser nos ajudar a fazer a cultura desta cidade acontecer. Não nos venderemos a ninguém, nem subiremos em palanques políticos. Nosso partido é o da nossa arte, a poesia.



Escrito por Caio César Muniz às 20h00
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MISTER ROBERT, DO LA PLATA

 

A esquina está mais triste sem o encontro daqueles boêmios dos sábados em seus  bancos altos ao pé do balcão a discorrer sobre os assuntos mais diversos.

 

A lanchonete, bar, ponto de encontro, confraria La Plata cerrou definitivamente suas portas. Era de se esperar. Aquele ambiente tinha uma feição própria, uma alma irrequieta e contestativa, tinha a cara do seu comandante, Roberto Holanda, levado de nós em 2009, mas hoje ainda muito presente devido ao grande carinho que todos nutriam pela sua pessoa.  

 

Alguns empreendimentos conseguem captar as características dos seus idealizadores com tamanha força que sem eles não é possível sobreviver, por mais que tentem.

 

Fiz parte da turma do sábado. Durante muito tempo foi como uma espécie de ritual estar ali, tomar as primeiras garrafas de cachaça de qualidade que chegavam a Mossoró. Fomos nós os pioneiros neste comércio, Cid Augusto, Robertão, Rogério Dias e eu. Muitas vezes fazíamos encomendas que só nos chegavam dias depois. Hoje já é possível encontrar uma boa cachaça em qualquer boteco e comprar em qualquer supermercado. Graças a Deus!

 

Pelo bom gosto musical de Robertão também conheci nomes como Norah Jones e outros tantos até então desconhecidos que ele garimpava e nos apresentava com orgulho.

 

O delicioso arrumadinho (prato preparado com feijão e outros preparos bem nordestinos) ainda me enche a boca só de lembrar.

 

A pimenta que desafiava a todos. Passei meses criando coragem para enfrentá-la. Ele a chamava de gota serena.

 

Dali ficarão estas boas lembranças, ninguém as roubará, a mente não levará embora. Obrigado, Mister Robert, onde quer que você esteja, agradecemos a grande alegria proporcionada pela sua casa e por você.  



Escrito por Caio César Muniz às 21h46
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"Poesia"

 

O que nos leva a escrever poesia? Sabe Deus! O certo é que um dia, somos arrastados pelo pescoço e aquele sentimento desconhecido invade o nosso peito e nos obriga a jogar no papel toda a nossa indignação ou dor, com metro ou sem metro, rimando ou em versos brancos, sabedores ou não das técnicas exigidas para ser escrever um bom poema.

Comecei a lidar com este mal-necessário aos nove anos de idade, sonhei uns dez anos com o primeiro livro e sofro toda a minha vida simplesmente por viver a poesia como quem vive uma eterna paixão.

Nos últimos tempos não tenho escrito uma linha sequer, culpa da convivência com o meio, que nos ensina que poesia é uma coisa séria e nos força a pensar mais de uma vez antes de colocar os pensamentos no papel. Fiquei exigente com o meu próprio escrever e tremo de medo só em pensar que ela, a poesia, tenha me abandonado.

Dizia Drummond que "todo mundo é poeta até os vinte e cinco anos", eu já passei um pouco desta idade, mas meu coração ainda continua o mesmo de menino.

Em idos que ainda consigo avistar daqui, tínhamos um batalhão enfileirado de poetas, podíamos revolucionar qualquer trincheira apenas com as nossas penas afiadas e a vontade de recitar. Hoje, procuro-os pelas esquinas e não os encontro. Será que ganharam também a maioridade poética?

Semana passada fui surpreendido por Pedro Arthur, ainda nos verdes dias dos seus dez meses. Sua mãe, dona Eloísa Helena, mostrava para os amigos Flávio e Samara algumas imagens em CD da ultrassom de sua gravidez. Pedro, de olhos vidrados nas imagens, num arroubo de quem não sabe o que diz, pronunciou: "poesia"...

Os ouvidos demoraram a acreditar no que eu ouvira e durante uns cinco segundos perdi o fôlego e a fala... a sorte é que eu tinha testemunhas do fato.

Liguei para todos os meus poetas/amigos comunicando o feito. Não sei se o quero poeta, isto acarretaria para sua vida muitos sofrimentos, por outro lado, melhor estas dores em verso, do que viver sem eles.



Escrito por Caio César Muniz às 14h01
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BELCHIOR À "MÃ-CHEIA" 

Por Sílvio Atanes (Santos/SP)

Olha só, a pasta de Tio Bel está ficando bastante gorda, com 32 arquivos.

http://www.4shared.com/dir/12853918/f5542129/Belchior.html

Ueba! Olha só a quantidade de links d’El Bigodón que nosso amigo J. Filho (lopfil@yahoo.com.br) nos mandou:

A lâmina da voz de Belchior
Diabético espiritual
Entrevista: Belchior (vídeo)
Entrevista: Belchior (aqui, um erro grosseiro: é atribuída a Belchior a autoria de O bêbado e a equilibrista)
Entrevista: Belchior
Entrevista: Belchior
Belchior no Programa do Jô
O discurso `pop confidente' de Belchior
Belchior e Los Hermanos no programa Altas Horas
Canções e citações de um rapaz latino-americano
Telejornal ignora artista
Belchior e Sérgio Zurawski (vídeo)
Belchior, Ednardo e Fagner cantando Terral
Na hora do almoço (vídeo)
Galos, noites e quintais (vídeo)
Paralelas (vídeo)
Sujeito de sorte (vídeo)
Belchior e Tom Zé (vídeo)
Belchior canta Ouro de Tolo

 



Escrito por Caio César Muniz às 16h19
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NO BURACO

UMA OBRA DE FICÇÃO NADA CIENTÍFICA

 

Por Cid Augusto


Ministério Público – Vamos instaurar procedimento para investigar se os buracos foram licitados de acordo com a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

Antônio Francisco – A Petrobras sinalizou apoio ao meu livro “O buraco em que a fome mora”.

Anchieta Costa Lima, interpretado por Zé Luiz – Veja, meu caro, estamos aqui, tête-à-tête, face a face, debruçados sobre a letra fria da norma estampada na tez pálida da celulose, o papel, para terçar lanças sobre a ilicitude das cavidades rotundas cunhadas na pavimentação asfáltica de nossa metrópole.

O Homem do Cachimbo – Eu defendo a legalização do buraco.

Marcos Ferreira – Falta agora cada buraco receber o nome de um Rosendo.

Túlio Ratto – Nem usando aquela canoa atômica, impulsionada pelo remo da pachorra, a papanguzada atravessa o rio de crateras.

Leonardo Nogueira – Eu sou terrível, e é bom parar / De desse jeito, me provocar.

Jório Nogueira – É incompetência do Capitão Gomes. Cadê que ele manda guinchar os buracos estacionados em lugar proibido?

Capitão Gomes – O nobre vereador deveria saber que o trânsito está municipalizado e, sendo assim, o Estado não pode guinchar buraco na circunscrição da prefeitura.

Na Usina de Asfalto – Comprei um quilo de asfalto / pra fazer farofa / pra fazer farofafá!

Caio Muniz – A poesia está em toda parte, inclusive no seu buraco.

Capitão Caverna – Simples: a palavra Mos-so-ró traz um buraco em cada sílaba.

Carlos Santos – E assim caminha a humanidade mossoroense, em meio à buraqueira.

Karol Poltergeist – Aleluia, It’s raining man... e nossos buracos ficarão abertos até o fim deste ma-ra-vi-lho-so inverno!

Luís Alves – Velho, a porra do buraco já está enchendo a porra do meu saco!

Claudionor dos Santos – A Câmara, independente sob minha presidência, pode tombar a buraqueira e até tombar na buraqueira, basta o Executivo oficializar o pedido.

Kydelmir Dantas – Se a buraqueira existisse em 1927, Mossoró teria economizado na construção de trincheiras para se defender do bando de Lampião.

Felipe Caetano – E nós poderíamos criar uma homenagem aos combatentes que lutaram em buraco desconhecido.

João Marcelino – Minha parte é montar o “Chuva de Buracos no País de Mossoró”.

Rosalba Ciarlini – Meus irmãos buraquenses!

Erasmo Firmino – Tio Colorau me disse assim: “Você é doido, mexer no buraco dos políticos”.

Gerente de Turismo – Ampliando alguns buracos, chegaremos à China na classe econômica, mas com rapidez.

Laércio Eugênio – Apesar da AIDS, da CNBB e dos buracos, os jovens continuam a transar e gozar sem camisinha.

Nilo Santos – Depois do jornalismo desejoso, nasce em Mossoró o buraco desejoso.

Propaganda da PMM – Tá na cara/ Tá Diferente/ Mossoró, o buraco da gente.

Caby da Costa Lima – Perdi três pares de tamanco, garotinho.

Sandra Rosado – Agora, sim, vocês estão conhecendo o verdadeiro estilo “arrasa-quarteirão”.

Betinho Rosado – E a Justiça ainda quer que eu fique no buraco Democrata.

Dança do buraco – Cada um/ No seu buraco.../ Cada um no seu buraco.

Larissa Rosado – Somente o TSE para cassar os tais buracos.

Francisco Carlos – Não existem buracos. É tudo mentira da oposição.

Guerrinha – Buraco? Neeeero!

Ravengar – Desafio qualquer pessoa a encontrar minha assinatura num buraco sequer.

Otavinho – Fafá, eu gosto de você, Fafá. Você é minha amiga, Fafá, mas eu preciso dizer, Fafá, que meu bairro está magoado porque sua administração, Fafá, rebaixou a Lagoa do Mato para Buraco do Mato.

Prefeita Fafá Rosado – Meu filho, isso não é só em Mossoró não. Mas tem nada não, eu sei que meu filho recebeu dinheiro pra vir dizer isso. Eu conheço de longe.

Acórdão do TRE – A inauguração de buracos não demonstra potencialidade para influir no pleito municipal.

João Buracão – E agora, quem poderá me defender?

Freud – Por favor, não me peça explicações. Eu não sou o Chapolin Colorado.


Escrito por Caio César Muniz às 10h56
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O feijão da minha avó

 

Sentados ao redor de uma mesa, degustando uma garrafa de Volúpia, eu e Marcelão, meu ex-sócio no Chap-Chap, discutíamos sobre a maravilhosa arte de cozinhar.

Ele, do alto de sua experiência (e põe alto nisto), me dizia dos cheiros e temperos sofisticados que ele utiliza em suas receitas, das técnicas, dos recursos que os gourmets aplicam nos seus pratos, enfim, neste mundo mágico em que pode se transformar uma cozinha.

Lembrei-lhe que em Mossoró, ao longo destes já dezessete anos, e doze de amizades com Rogério Dias, perdi a conta de quantas vezes já “filei a bóia” em sua casa, e que, por incrível que pareça, nunca a receita foi igual e nunca pude dizer que a comida não prestara. Rogério sempre acerta a mão e não lhe pergunte sobre como fizera aquele prato.

 Indaguei a Marcelão como pode a mulher simples, do interior, como poucos recursos, conseguir, muitas vezes, fazer iguarias fantásticas, e isto por uma espécie de instinto, pela obrigação, sem a dita técnica da qual ele me falava anteriormente.

Neste vai-e-vem de conversas, lembrei-me do feijão que minha avó paterna fazia. Tenho certeza que não havia nada demais ali – talvez um pouco de cheiro-verde, leite, denunciado pela cor do caldo, e os elementos de sempre: sal, nata, enfim, coisas que só nós, sertanejos, conhecemos bem.

Apesar da simplicidade do prato, eu falava pra Marcelão que, nunca esqueci daquele feijão feito pela minha avó e que, às vezes, chego até a sentir o seu cheiro.

A sessão ficou nostálgica, e nós, entre um trago e outro, fomos ficando bêbados de boas e deliciosas recordações.

NOTAS

Notícias da semana: “Avenida esta está repleta de buracos”, “Buracos causam acidentes da rua tal...” Ora bolas, não seria mais fácil dizer de uma vez que não há, em toda Mossoró, uma única rua que não esteja uma verdadeira tábua de pirulito? O que estamos vivendo aqui é um caso de calamidade pública.

Fui ver a barragem de Santa Cruz. Que belo espetáculo da natureza. Quanta imprudência dos homens! Não bastasse a má conservação das estradas, devido às chuvas, o nível etílico de muitos dos visitantes, alguns, mais afoitos, ainda se arriscam em nados além de uma zona, digamos, segura ao banhista. resultado: algumas mortes em um único dia.

 

Alguns contemplados conhecidos no Prêmio Núbia Lafayete, da Fundação José Augusto. Entre eles, Jeová Costa, irmão do nosso Genildo Costa e Maurílio Santos, do Jucuri, muito bom mesmo.



Escrito por Caio César Muniz às 14h48
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Quem dera fosse

Por Stênio Urbano - E-mail: stenio_muniz@hotmail.com

Confesso, desde já, ser um bibliófilo inveterado, um devorador nato de alfarrábios empoeirados a notas de rodapés de bulas médicas. Confesso, porém, como acadêmico, ser uma tarefa um tanto ingrata, pra não dizer cruel, ser leitor em um país no qual investe mais em estádios de futebol do que em bibliotecas públicas, nada contra os boleiros, sou um são-paulino roxo, vermelho, aliás, roxo é corintiano.

Pois bem, em meio a um zilhão de livros que temos que ler nas academias, e com as míseras moedas que nos sobram dos cafés, as bibliotecas se tornam as principais parceiras nesse árduo caminho torpe dos estudantes. E pensando em desfrutar de uma boa leitura, não a acadêmica, mas a literária, recorro sempre às poucas bibliotecas públicas que nos sobram. E sempre que adentro no prédio de livros empoeirados, olho o velho Dorian sentado de cabeça baixa a contemplar um livro que nunca sai da mesma página, tal uma estátua.

Divagando entre as prateleiras, anotando, olhando de lado, de frente, sentado, encontro um livro que há muito procurava e resolvo me dar ao luxo de lê-lo nos poucos momentos de folga. Um lindo Gabriel Garcia Marques, cheirando a papel velho, e coberto por ácaros insolentes, “Aos seis anos de idade tive que abandonar minha educação para ir para a escola, a primeira frase do livro”, não resisto.

Resolvo levá-lo, eis que me surge uma tecnocrata que me olha de por cima de um piciné, depois daí, amigo... A baixo reproduzo o fatídico diálogo!

- Nome? Pergunta-me.

- Stênio Urban.......

- Profissão?

- Estudante de... (me interrompe novamente)

- O nome do livro é... é ...é ...(vacila e retorce para um lado e outro o livro)

- Viver para contar!(socorro-a)

- Cortar?

- Contar, Gabriel Garcia Marques (a corrijo novamente)

- Nunca ouvi falar... (eu já havia percebido)

Olha-me de reto e diz:

- Errei, havia colocado o nome do tradutor! ( e me dar um sorriso falso)

Completando e meus dados:

- Estado civil?

- Solteiro

Pergunto à interrogante:

- Os dados que já existem no meu cadastro não são suficientes?

- Não!

Com arrodeios e melindres, para ser mais exato, passo quinze minutos e dezesseis segundos preenchendo uma ficha que pedia desde o número da minha casa ao registro do meu CPF.

Ela saiu para uma sala e voltou com uma outra ficha, essa era um termo de conduta e responsabilidade.

-Tem que devolver o livro em sete dias!

- Certo.

- Não rasure, não amasse, não empreste a terceiros!

- Certo.

- Está ciente que se não cumprir os termos, terá a carteira suspensa e pagará pelos danos do mesmo!

- Certo, estou!

Chego em casa. Ponho o livro em cima de uma pilha de outros tantos que tenho que ler e me pergunto: Porque não aprendi jogar futebol meu Deus!

 



Escrito por Caio César Muniz às 07h55
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Meus medos...

 

Acordo muitas vezes assustado e as imagens refletidas na parece do quarto, através da cortina amarela são como fantasmas que carrego inconscientemente.

A pele arrepia-se por alguns segundos até que acordo em definitivo e percebo que é mais um pesadelo destes que me perseguem há vários anos.

Dos medos que tenho, alguns beiram o ridículo e, talvez por isto, só me buscam nos confins das noites escuras, depois do sono.

Tenho medo do escuro, por isto sempre deixo uma luz acesa para me guiar, mesmo que seja para lugar nenhum, somente para que eu tenha para onde correr os olhos.

Sempre tenho a impressão de que há algum bicho debaixo de minha cama, talvez alguma história daquelas de “trancoso” que contam para as crianças tenha me marcado para sempre. Assim, ao levantar na madrugada, passo alguns minutos criando coragem para descer da cama, e ao fazê-lo, coloco os pés numa distância “segura” para que ninguém os alcance.

Tenho medo acordado também, mas estes são mais fáceis de superar, são toleráveis diante dos medos noturnos: não conseguir ver meus filhos crescerem ao mesmo tempo em que prefiro partir na frente ao ter que despedir-me de algum deles em definitivo.

De que me falte o pão à mesa para minha família, ao mesmo tempo em que não suporto imaginar que falte também ao menino de rua, ao homem trabalhador, ao indigente que dorme na rua.

Enfim, sou um homem carregado de medos mas espero um dia poder superá-los.



Escrito por Caio César Muniz às 10h12
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