Na terra dos Beatles, o racionamento durou até alguns anos após o fim da guerra, tempo suficiente para que os britânicos ficassem mareados só de ouvir falar no produto. Que de uma simples e inofensiva latinha passou a significar algo indesejado, mas com ampla oferta. Entretanto, o tempo não foi suficiente para aposentar o termo, que voltou com força total há cerca de dez anos.
Como o Spam era a junk food – literalmente "porcaria" – por excelência, teve a honra de emprestar o nome ao junk mail (lixo eletrônico). Para quem não conhece, trata-se de uma espécie de propaganda, um bicão que chega por e-mail às caixas postais de milhões de internautas em todo o mundo. Anunciam, entre outros, remédios milagrosos contra impotência, softwares piratas e correntes de felicidade. Alguns desses e-mails, além da aporrinhação, trazem um mimoso vírus para os incautos que resolverem abri-lo.
O batismo digital aconteceu em 12 de abril de 1994, quando o casal de advogados americanos Laurence Canter e Martha Siegel, de Scottsdale, Arizona, enviou um dilúvio de mensagens para cerca de 6 mil grupos de discussão da Usenet, oferecendo serviços profissionais. Imediatamente, a legião de fãs dos comediantes do Monty Python associou aquela correspondência intragável à comida de baixa qualidade presente nos programas da trupe.
Foi o primeiro caso de spam da Internet. O apelido pegou, e o resto é história. Os spammers (que disseminam spam pela rede mundial de computadores) pioneiros despertaram tamanha ira dos usuários que tiveram o acesso bloqueado pelo provedor. Mas ficaram famosos e até escreveram um livro, Como Fazer Fortuna na Superinfovia da Informação.
Com o significado ainda mais pejorativo, o termo perdeu a letra maiúscula e, de Spam, virou simplesmente spam. De marca registrada, virou substantivo, já incorporado ao idioma inglês. Mas o Spam original não morreu, muito pelo contrário! Está mais vivo do que nunca e pode ser visitado no endereço www.spam.com. A Hormel Foods adorou a publicidade gratuita, e hoje existe até o Museu do Spam em Austin, inaugurado em setembro de 2001.
Mas o caro leitor deve estar se perguntando de onde vem o nome Spam, afinal? A origem é incerta, mas a teoria mais aceita diz que se trata de um acrônimo de SPiced HAM, presunto temperado. O site oficial do fabricante diz que foi sugestão de Kenneth Daigneau, que teria ganho US$ 100 pela idéia, numa festa de Réveillon em 1936, na casa de Jay Hormel, o fundador da presuntada. A praga não parou por aí e hoje a cidade de Austin é conhecida mundialmente como a Capital do Spam.
Por Silvio Atanes (Jornalista - Santos/SP)
PS: Quem nunca comeu presuntada, que atire a primeira lata!