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Escrito por Caio César Muniz às 14h42
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Fiambre digital O que é spam?

 

Sinônimo de lixo eletrônico surgiu por causa de presunto enlatado

 

Ao lado dos vírus de computador, o spam é uma das pragas da Era da Internet. Você com certeza já recebeu um. Saiba como essa história começou.

Spam, uma latinha ingênua que fez sucesso na Segunda Guerra Mundial, virou sinônimo de penetra digital

 

 

O termo spam, como sinônimo de correspondência eletrônica indesejada, originou-se no 25º episódio do programa de TV Monty Python's Flying Circus, uma espécie de Casseta & Planeta inglês. Nesse humorístico, um grupo de vikings desajeitados e famintos invadia um bar e berrava sem parar "Spam!", marca de um famoso enlatado americano. Tem uma certa semelhança com a piada do restaurante americano que não conseguia tirar a cebola do hambúrguer ou a história do brasileiro que tomava até suco de feijão. Todos os pratos do café inglês levavam, obrigatoriamente, Spam na receita. O quadro, que tornou "Spam!" um bordão tão famoso quanto os nossos "fala sério" ou "ninguém merece", foi ao ar pela primeira vez em 15 de dezembro de 1970.

 

Porém, a associação do enlatado com enjôo começou na Inglaterra, 30 anos antes, durante a Segunda Guerra Mundial. Por economia de guerra, os alimentos eram racionados. Um dos raros produtos que ficaram de fora da lista de racionamento imposta por Churchill chamava-se Spam, carne de porco temperada e enlatada pela Hormel Foods, de Austin, Minnesota, Estados Unidos. Na falta de um bom churrasco ou macarrão, a Inglaterra se entupiu de Spam até a tampa. E o frigorífico americano fez a festa.



Escrito por Caio César Muniz às 11h02
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No Brasil, marcas como Swift, Wilson, Anglo e Bordon fizeram a glória do Spam, sinônimo de comida barata. O presunto enlatado aqui chegou com o nome mais simpático de presuntada. Cortada em fatias de generoso calibre e à milanesa, era um quitute delicioso. O difícil era conseguir não se cortar com o abridor que vinha junto, uma chavetinha pra lá de invocada. O pitéu era tão bom que dura até hoje, oferecido em botequins e lojas de conveniência com o pomposo nome de "steak", agora também em versão frango.

 

Na terra dos Beatles, o racionamento durou até alguns anos após o fim da guerra, tempo suficiente para que os britânicos ficassem mareados só de ouvir falar no produto. Que de uma simples e inofensiva latinha passou a significar algo indesejado, mas com ampla oferta. Entretanto, o tempo não foi suficiente para aposentar o termo, que voltou com força total há cerca de dez anos.

 

Como o Spam era a junk food – literalmente "porcaria" – por excelência, teve a honra de emprestar o nome ao junk mail (lixo eletrônico). Para quem não conhece, trata-se de uma espécie de propaganda, um bicão que chega por e-mail às caixas postais de milhões de internautas em todo o mundo. Anunciam, entre outros, remédios milagrosos contra impotência, softwares piratas e correntes de felicidade. Alguns desses e-mails, além da aporrinhação, trazem um mimoso vírus para os incautos que resolverem abri-lo.

 

O batismo digital aconteceu em 12 de abril de 1994, quando o casal de advogados americanos Laurence Canter e Martha Siegel, de Scottsdale, Arizona, enviou um dilúvio de mensagens para cerca de 6 mil grupos de discussão da Usenet, oferecendo serviços profissionais. Imediatamente, a legião de fãs dos comediantes do Monty Python associou aquela correspondência intragável à comida de baixa qualidade presente nos programas da trupe.

 

Foi o primeiro caso de spam da Internet. O apelido pegou, e o resto é história. Os spammers (que disseminam spam pela rede mundial de computadores) pioneiros despertaram tamanha ira dos usuários que tiveram o acesso bloqueado pelo provedor. Mas ficaram famosos e até escreveram um livro, Como Fazer Fortuna na Superinfovia da Informação.

 

Com o significado ainda mais pejorativo, o termo perdeu a letra maiúscula e, de Spam, virou simplesmente spam. De marca registrada, virou substantivo, já incorporado ao idioma inglês. Mas o Spam original não morreu, muito pelo contrário! Está mais vivo do que nunca e pode ser visitado no endereço www.spam.com. A Hormel Foods adorou a publicidade gratuita, e hoje existe até o Museu do Spam em Austin, inaugurado em setembro de 2001.

 

Mas o caro leitor deve estar se perguntando de onde vem o nome Spam, afinal? A origem é incerta, mas a teoria mais aceita diz que se trata de um acrônimo de SPiced HAM, presunto temperado. O site oficial do fabricante diz que foi sugestão de Kenneth Daigneau, que teria ganho US$ 100 pela idéia, numa festa de Réveillon em 1936, na casa de Jay Hormel, o fundador da presuntada. A praga não parou por aí e hoje a cidade de Austin é conhecida mundialmente como a Capital do Spam.

 

Por Silvio Atanes (Jornalista - Santos/SP)

 

PS: Quem nunca comeu presuntada, que atire a primeira lata!

 



Escrito por Caio César Muniz às 11h02
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