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Foto: Roberto Oliveira

O BAOBÁ DE MOSSORÓ

 

Ufersa abriga árvore que pode alcançar até seis mil anos

 

Ao lado direito da rampa que dá acesso ao prédio central da Ufersa, uma árvore bela e portentosa mantém-se anônima e indiferente aos olhos de muitos agrônomos e estudantes daquele estabelecimento, alguns, até desconhecem a sua identidade: um baobá.

Não se sabe ao certo quem o plantou, mas o professor Odaci Fernandes acredita que tenha sido uma iniciativa de uma das primeiras turmas a se formar na escola, a turma do então professor Carlos Alberto de Souza Rosado, concluindo-se assim, de que o baobá tem hoje, pouco mais de trinta anos.

Proveniente das regiões africanas, o Adansonia digitata L. é uma árvore de grande porte, chegando a atingir 30 metros de altura, e seu caule, vinte metros de diâmetros, podendo armazenar cerca de 120.000 litros de água.

Não bastasse a altivez, o gigante vegetal é um símbolo de longevidade, alcançando até os seis mil anos de vida.

Em alguns países, como o Senegal, o baobá é considerado uma árvore sagrada, sendo que algumas tribos enterram seus guerreiros no tronco gigantesco, acreditando que, enquanto o baobá existir, também aquela vida será conservada.

O famoso barão Frederico Henrique Alexandre von Humboldt considerava-o “o mais antigo monumento organizado do nosso planeta”.

Em sua passagem por Natal, na década de 30, do último século, o escritor Antoine de Saint Exupéry, encantou-se com um baobá existente na rua São José, em terreno pertencente à famosa “Viúva Machado” (Amelinha Machado), que o hospedara naqueles dias.

Alguns relatos dão conta de que o escritor passava horas a desenhar a grande árvore que depois viria a merecer um capítulo exclusivo em uma de suas obras mais expressivas, “O Pequeno Príncipe”.

Na década passada, o escritor e presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras, Diógenes da Cunha Lima, adquiriu o referido terreno para salvar o baobá de um possível “ataque” da indústria imobiliária.

Diógenes passou a semear a bombacácea por todo o Estado. No ano 2000, esteve em Mossoró plantando uma muda na Estação das Artes Elizeu Ventania em homenagem aos 80 anos dos pesquisadores Raimundo Soares de Brito e Vingt-un Rosado, a árvore foi batizada de “Baobá da Resistência”.

Vingt-un, fundador da ESAM (Ufersa) não sabia da existência daquele espécime na escola, e, ironicamente, foi velado ao lado da árvore milenar.



Escrito por Caio César Muniz às 08h35
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