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Antônio Francisco, o nosso best seller

 

Foi no ano de 1998, que conheci o poeta Antonio Francisco. Na ocasião de um curso de poesia realizado pelo no espaço cultural O Sujeito. O curso que teve duração de apenas uma semana. Período muito curto para que alguém adquira entendimento de algo tão complexo como a arte do bom versejar e Antônio já o tinha de sobra.

O que nos restou de saldo foi a presença do “aluno” que, como quem nada soubesse, se inscreveu, participou de todas as aulas e, ao final, nos presenteou com o cordel “Meu Sonho”, feito naqueles dias de “aprendizado”.

De lá para cá, Antônio passou a ser visto e lembrado, ocupa hoje uma cadeira na Academia Brasileira de Literatura de Cordel em cadeira antes ocupada pelo poeta cearense Patativa do Assaré, e é figura presente em onze entre dez eventos acontecidos em Mossoró e região.

Da sua primeira obra, tive a oportunidade de ouvir alguns dos cordéis na sua forma bruta, sendo que o poeta me trouxe muita coisa de cor, sem que tivesse sido repassada para o papel.

Fui responsável, ainda, pela sua edição de estréia, ela que carregava o selo da Coleção Mossoroense sob uma capa produzida pelo artista plástico Rogério Dias.

Abraçadas pela Petrobras e pela Queima-Bucha, vieram outras edições e este é, hoje, o best-seller do Rio Grande do Norte.

Se tivéssemos como contabilizar a quantidade de exemplares já comercializada por Antônio, certamente, chegaríamos à conclusão de que seu nome tem todos os requisitos necessários para figurar entre os “mais vendidos” citados por algumas revistas de circulação nacional.

Em “Dez Cordéis” estão presentes mundos e figuras imaginárias, lendas criadas pelo próprio autor e uma forte preocupação com o Homem e a preservação do seu habitat natural.

Esta é a principal característica de toda a obra de Antônio, inclusive no seu segundo livro, “Por Motivo de Versos”.

Não é de todo um exagero comparar o trabalho deste mossoroense à poesia escrita pelo cearense Patativa do Assaré, tendo aí algumas ressalvas, como, por exemplo, o pouco “letramento” deste último e o curso superior concluído pelo primeiro – Antônio Francisco é formado em História.

Ainda deve-se observar o convívio urbano do poeta de Mossoró e a vida rural de Patativa, o que remete muito da produção deste aos temas ligados ao campo e à sua problemática e, daquele, às mazelas da cidade grande, como poluição e o desrespeito às coisas mais ligadas à natureza, tema que Patativa conhecia mais de perto e chegara mesmo a mencionar em seu poema “Cante lá, que eu canto cá”, quando disse: “Poeta cantô da rua/Que na cidade nasceu/Cante a cidade que é sua/Que eu canto o sertão que é meu.”

No mais, a poesia de ambos seduz e ganha a cada dia mais admiradores, são grandes e do mesmo tamanho, merecem distinção e mérito e, com certeza, já perpetuaram a sua arte poética.



Escrito por Caio César Muniz às 09h38
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