Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, MOSSORO, CENTRO, Homem, de 26 a 35 anos, Arte e cultura, Livros
Outro -



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Blog do Jotta
 Espaço Crônico
 Carlos Santos On Line
 Os Dias Brancos
 Giro Pelo Estado
 Do Ás ao Rei
 Carol Frota
 Cine Clube Mossoró
 ACCAS NA NET
 Laércio Eugênio


 
CAMELAGEM VIRTUAL


Quem dera fosse

Por Stênio Urbano - E-mail: stenio_muniz@hotmail.com

Confesso, desde já, ser um bibliófilo inveterado, um devorador nato de alfarrábios empoeirados a notas de rodapés de bulas médicas. Confesso, porém, como acadêmico, ser uma tarefa um tanto ingrata, pra não dizer cruel, ser leitor em um país no qual investe mais em estádios de futebol do que em bibliotecas públicas, nada contra os boleiros, sou um são-paulino roxo, vermelho, aliás, roxo é corintiano.

Pois bem, em meio a um zilhão de livros que temos que ler nas academias, e com as míseras moedas que nos sobram dos cafés, as bibliotecas se tornam as principais parceiras nesse árduo caminho torpe dos estudantes. E pensando em desfrutar de uma boa leitura, não a acadêmica, mas a literária, recorro sempre às poucas bibliotecas públicas que nos sobram. E sempre que adentro no prédio de livros empoeirados, olho o velho Dorian sentado de cabeça baixa a contemplar um livro que nunca sai da mesma página, tal uma estátua.

Divagando entre as prateleiras, anotando, olhando de lado, de frente, sentado, encontro um livro que há muito procurava e resolvo me dar ao luxo de lê-lo nos poucos momentos de folga. Um lindo Gabriel Garcia Marques, cheirando a papel velho, e coberto por ácaros insolentes, “Aos seis anos de idade tive que abandonar minha educação para ir para a escola, a primeira frase do livro”, não resisto.

Resolvo levá-lo, eis que me surge uma tecnocrata que me olha de por cima de um piciné, depois daí, amigo... A baixo reproduzo o fatídico diálogo!

- Nome? Pergunta-me.

- Stênio Urban.......

- Profissão?

- Estudante de... (me interrompe novamente)

- O nome do livro é... é ...é ...(vacila e retorce para um lado e outro o livro)

- Viver para contar!(socorro-a)

- Cortar?

- Contar, Gabriel Garcia Marques (a corrijo novamente)

- Nunca ouvi falar... (eu já havia percebido)

Olha-me de reto e diz:

- Errei, havia colocado o nome do tradutor! ( e me dar um sorriso falso)

Completando e meus dados:

- Estado civil?

- Solteiro

Pergunto à interrogante:

- Os dados que já existem no meu cadastro não são suficientes?

- Não!

Com arrodeios e melindres, para ser mais exato, passo quinze minutos e dezesseis segundos preenchendo uma ficha que pedia desde o número da minha casa ao registro do meu CPF.

Ela saiu para uma sala e voltou com uma outra ficha, essa era um termo de conduta e responsabilidade.

-Tem que devolver o livro em sete dias!

- Certo.

- Não rasure, não amasse, não empreste a terceiros!

- Certo.

- Está ciente que se não cumprir os termos, terá a carteira suspensa e pagará pelos danos do mesmo!

- Certo, estou!

Chego em casa. Ponho o livro em cima de uma pilha de outros tantos que tenho que ler e me pergunto: Porque não aprendi jogar futebol meu Deus!

 



Escrito por Caio César Muniz às 07h55
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]